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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cartografando minha poética: o que tem sido o corpo-flor?



o que tem sido o corpo-flor? 

Em 2016 decidi nomear de "Corpo-Flor" parte de minhas pesquisas e experiências sobre e com corporeidades que, assim como eu, desmentem e desnaturalizam essencialismos identitários.  Amparada pela pergunta "o que pode um corpo?", iniciei cartografias de minhas tentativas de responder com o meu corpo próprio corpo, esta questão. Desde então, venho mergulhando na complexidade de minha existência, matéria essa que nutre e é nutrida pelo Corpo-flor.  Este corpo(-flor) é então um compilado de possibilidades de mim, aquelas que venho desejando, descobrindo e fabricando.  

Corpo-flor sou eu e todas aquelas pessoas que tem desaprendendo junto comigo os modos institucionalizados de usarmos nossos membros, órgãos, cavidades e tudo que se produz em nossas bio-química. Nesta pesquisa, apresento uma anatomia e genética que possibilita que plantas nasçam por todo este corpo. Plantas medicinais, usadas para cura, e também venenosas, utilizadas para crueldade que a história tem me exigido a ter. Plantas de benzimento, macumbaria, feitiçaria e bruxaria. Corpo-flor é um reacoplamento entre corpo humano e natureza. Nele, faço uma atualização e também desistência de humanidades. 

Em minhas investigações, percebi, me assustei e me encantei com a condição de efemeridade que delimita a vida. E, é nesta potência do perecível que tenho apostado com minha pesquisa Corpo-flor. Este corpo possui estéticas efêmeras,  que são constituídas cotidianamente em afecções tristes e felizes. Mas, nada há de inédito neste corpo, o que existem são restos, traduções e aperfeiçoamentos. 

Corpo-flor subjetiva-se em  experiencias e desejos nomeados de primitivos. Tal corpo possui uma vida hibrida de temporalidades e territorialidades. Há nele uma confluência de geografias, afetos geográficos e identidades que são territorializadas. Corpo-flor é negro, é bixa, é afro-brasileiro, é ancestral, contemporâneo, tribal, urbano. Corpo-flor é um local de memória. É com ele que investigo em etnias africanas, na história da minha família, e em demais aquilombamentos brasileiros, elementos estéticos e saberes ancestrais que me ajudarão a continuar me produzindo em uma negritude de liberdade.



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