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segunda-feira, 24 de julho de 2017

APRODRECIMENTO


Em minha pele, costurei as pétalas de todas as flores que ganhei de você. Em nosso primeiro adeus, tentei arranca-las. Sangrei. Meu corpo tentou acelerar a vinda do outono, quando sem muito esforço as folhas desacoplam das arvores que as produziram. Eu era arvore tentando me despir de você. Desisti. Sofri. Tivemos 3 dias de uma falsa primavera, pois em mim nada floresceu. Cansaço. Fraqueza. Decepção. Sem perceber, comecei a experienciar o outono pelo qual tanto supliquei. Mas, não foram todas as pétalas que desprenderam-se de minha pele. As que ficaram, hoje estão apodrecendo. Tristeza.
-O estranhamento machuca mais que afastamento.
Essas pétalas foram costuras na quarta camada de minha pele. Aquela onde ficam guardados os afetos. Como joga-los fora?. Como não deixa-los partir?. Tristeza. Sentimento ainda não nomeável. O vento de solidão do inverno tem esfoliado minha pele. Entretanto, ainda não a me sinto rejuvenescida. Nova. Forte. Saudável. Um dia novamente estará?. Como acelerar a vinda da primavera?. Medo. Tristeza. Esforço para sentir saudade.
-O apodrecimento doí ainda mais que o estranhamento.