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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Um pouco sobre "Resquícios de um Corpo-flor"

"Resquícios de um corpo-flor" é uma série onde materializo um corpo cuja sua existência ainda não pode ser datada. É um corpo pré ou pós-colonial. Ele habita um passado ou um futuro onde categorias de como gênero, raça e sexualidade foram desmanteladas; ou ao menos reformuladas. Corpo-flor é a atualização de corporeidades que constituem o presente, e provocam rachaduras em modelos identitários enrijecidos. É um corpo - e um obra - que constitui necessariamente em coletividade, em processos grupais, e nunca sozinho.

Sendo assim, tal corpo fala de pessoas negras, latinas, travestis, transsexuais, LGBTTS. Bixas, sapatão, trans-lesbixa, bixa-travesti, Pessoas essas que estão a todo o momento produzindo linhas de fuga de processos de subjetivação que as despotencializam, as patologizam e as assassinam. Esta série é sobre mim, um corpo que cria para si outras coreografias de gênero, etnia e sexualidade, numa tentativa de tentar escapar de normas identitárias que impõem a todo momento. Por eu ser negra e possuir um pênis, esperam de uma performance de masculinidade que nunca fiz. Eu então questiono o que é ser negro e reivindico minha feminilidade. Sou bixa.

No fim, reorganizo meu corpo preto-bixa em um corpo-flor: corpo de intensidade, disruptivo, fugaz, terrorista de gênero e anti-racista.  Corpo-flor fala de um reacoplamento entre corpo humano e natureza. Proponho então uma atualização do conceito de humanidade. 

Em "Resquícios de um corpo-flor", apresento uma nova biologia, onde plantas nascem por todo este corpo. Plantas medicinais, usadas para curas, mas também outras, que podem ser mortíferas. Esta série então, também fala de afetos tristes e felizes, de memória, ao passo que todas as plantas usadas possui um significado a mim. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

APRODRECIMENTO


Em minha pele, costurei as pétalas de todas as flores que ganhei de você. Em nosso primeiro adeus, tentei arranca-las. Sangrei. Meu corpo tentou acelerar a vinda do outono, quando sem muito esforço as folhas desacoplam das arvores que as produziram. Eu era arvore tentando me despir de você. Desisti. Sofri. Tivemos 3 dias de uma falsa primavera, pois em mim nada floresceu. Cansaço. Fraqueza. Decepção. Sem perceber, comecei a experienciar o outono pelo qual tanto supliquei. Mas, não foram todas as pétalas que desprenderam-se de minha pele. As que ficaram, hoje estão apodrecendo. Tristeza.
-O estranhamento machuca mais que afastamento.
Essas pétalas foram costuras na quarta camada de minha pele. Aquela onde ficam guardados os afetos. Como joga-los fora?. Como não deixa-los partir?. Tristeza. Sentimento ainda não nomeável. O vento de solidão do inverno tem esfoliado minha pele. Entretanto, ainda não a me sinto rejuvenescida. Nova. Forte. Saudável. Um dia novamente estará?. Como acelerar a vinda da primavera?. Medo. Tristeza. Esforço para sentir saudade.
-O apodrecimento doí ainda mais que o estranhamento.








quarta-feira, 19 de julho de 2017

Resquícios de um corpo-flor/ Exposição DAVisuais @UFES


Instalação feita na exposição coletiva DAvisuais, organizada pela Galeria de Arte e Pesquisa (GAP) / UFES. 










domingo, 16 de julho de 2017

Abertura da Exposição DAVisuais @UFES


Eu e minha sister Napê, juntas dando close de "Florescimentos Urbanos" na abertura da exposição DAVisuais, q to participando com a serie "Resquícios de um corpo-flor"


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Resquícios de um corpo-flor / DAVisuais

Instalação feita na exposição coletiva DAvisuais, organizada pela Galeria de Arte e Pesquisa (GAP) / UFES. 

sábado, 8 de julho de 2017

CURRÍCULO


Formação:
Nascida em Vitória, ES, Brasil, 1996, graduanda em Psicologia, pela Universidade Federal do Espirito Santo.

Integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa em Sexualidades (GEPS)

Participação em Iniciação Cientifica, com o tema “Se a criança importa em seus processos educacionais e subjetivos, por que temos tanto medo que ela fale sobre gênero, sexualidade e outras dissidências?”, sob orientação do Profº. Drº. Alexsandro Rodrigues. 2016-2016

Participação em Iniciação Cientifica, com o tema “No entre-lugar do corpo, gênero, sexualidade e raça: encontros com outras crianças e infâncias”, sob orientação do Profº. Drº. Alexsandro Rodrigues. 2017-2018

Exposições Coletivas:
Exposição coletiva “Davisuais”, Galeria de Arte e Pesquisa, Vitória, 2016
Exposição coletiva “Corpo expandido”, Aliança Francesa, Vitoria, 2016
Exposição coletiva “Degelo Tropical”, I Fórum Acadêmico de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2016
Exposição coletiva "Ca Entre Nós", OÁ Galeria - Arte Contemporânea, 2017
Exposição coletiva “Davisuais”, Galeria de Arte e Pesquisa, Vitória, 2017

Performances presenciais
"Ode à bixa-preta" realizada na 1º Marcha do Orgulho Crespo de Vitória (2017)

"Experiências de Jardins", feita junto com a artista Kim Cavalcante, no Redbull Station. (2016)

“Novos Ancestrais”, feita junto com os artistas  Iwintolá, Janaina Barros, Rincón Sapiência e Thiago Miranda, no Redbull Station (2016)

“COMO SE PREPARAR PARA A GUERRA”, realizada no I Seminário Afronta - Compartilhando Saberes e Afetos (2017


Imersões artísticas:
AfroTranscendece, 2016 ( Centro -São Paulo)
CAPSULA, 2017( Vitória- Espirito Santo )

Oficinais ministradas:

“Subvertendo a animalização do corpo negro”, Raiz Forte, 2017
"Literatura Queer", Centro Cultural Sesc Glória - Vitória, 2017


Publicações

"Estou me costurando" - Cartola Mag, edição Identidade, 2017
"Resquícios de um corpo-flor" - Coletânea Afro-Tons de Expressões Artísticas de Mulheres Negras No Espirito Santo, 2017
Crianças bichas demasiadamente fabulosas. REVISTA INTERINSTITUCIONAL ARTES DE EDUCAR. 2017




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