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domingo, 4 de junho de 2017

Como abandonar um ciclo?



foto do amanhecer. paisagem existente em frente ao meu quarto. registro feito por mim. 

Como abandonar um ciclo? 

Não se trata de abandona-lo. Ou de supera-lo. Muito menos de esquece-lo. É preciso esgota-lo, vive-lo. 

Viver seu fim. Mas veja, viver é diferente de suportar, pois este exige sofrimento, e aquele se afirma necessariamente na felicidade; mas não só nela. Viver é se afundar, contra a sua vontade, em um mar de possibilidades, que, por serem incertas, tornam-se assustadoras. Viver é não aceitar o fato de não ter conseguido nadar. Viver é não ter querido nadar. Viver é chegar no fundo desse mar de incertezas, e descobrir que ele tem fim, tem limites. E ultrapassa-los não deve ser uma obrigação, e sim uma vontade. Viver é tocar nesses limites, senti-los, caminhar sobre eles. 

Mas ainda me perguntam "como abandonar um ciclo?". E penso que essa não é a melhor pergunta a ser feita. Ela precisa ser substituída por "como compreender o ciclo?", ou ainda "como viver o ciclo?". Viver exige compreensão de inicio e fim. Compreensão corpórea- afetiva-mental-espiritual.Compreender não é dizer pra si mesmo que o ciclo está acabando. É também isso, mas não só. Compreender é se perguntar o porque do fim. Compreender é produzir conhecimento através de questionamentos, e questionamentos do próprio questionamento. 

Mas como não se perder nestes questionamentos? Como não produzir para si um corpo à deriva em problematizações? Como não morrer antes de chegar no fim/fundo do mar de incerteza?. Acredito que a resposta para tais questões seria: não tendo medo dessas perguntas e possibilidades. 

O medo bloqueia movimentos, e o que mais precisamos é de nos movimentarmos. Correr, caminhar, nadar, pular, voar, deitar, levantar, dançar. Os movimentos conscientizam nosso corpo, e corpo é vida. Logo, viver é se movimentar, produzindo para si novos modos de estar em coletividade. 

Sendo assim, "viver o ciclo" é compreender que nele produzimos movimentos que aos poucos o extrapola. Não por serem bons ou ruins, e sim por serem movimentos em eterna modificação, expansão. Esta qualidade faz com que qualquer ciclo não seja capaz de suporta-los por muito tempo. 

Por isso é preciso criar novos ciclos. Ou melhor, é necessário se permitir a criar novos ciclos, sabendo que eles são perecíveis, possuem data de validade. Ciclos apodrecem, e precisam ser jogados fora. 

Então, viver um ciclo é ter coragem de dar um impulso no fundo do mar e nadar até a superfície, passando novamente por incertezas que já conhecemos, e se preparando para novas. Aquelas incertezas que encontram-se em terra firme. Aquelas que se produzem no ar, que são trazidas com o vento. Que se alimentam de sol. 

Viver o ciclo é viver. E viver é compreender que a vida nunca caberá em ciclos, mesmo sendo composta por eles.
castiel vitorino