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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Praticas contrasxuais de um Corpo-flor

Meu corpo é uma flor que há muito tempo tem sofrido tentativas de categorizações, que falham com a mesma rapidez em que eu mudo de forma e desejo. Eu tenho um corpo-flor selvagem, movido por instintos anti-racistas e contrassexuais. Minha pele é preta e sobre ela crescem flores. E é através delas que sinto prazer. Eu não tenho vagina muito menos pênis. Eu sinto orgasmos quando meus dedos ou galhos de arvores penetram as flores que crescem na minha barriga, nos meus braços, nos meus ombros, nas minhas pernas. Eu gozo quando minha lingua toca qualquer lugar da minha pele. Meu corpo é negro mas não tem raça. É corpo mas não tem gênero. É desejo mas não tem sexualidade. Minha pele não é suja, não é feia, não fede. Ela é um órgão incompreendido que nunca desejou essas explicações vindas do norte. Meu corpo é deslocamento de negritude. É ruptura de heterocisnormatividade. Meu corpo-flor é bárbaro. Minha pele é subversão de um projeto de animalidade.

Registro: Rodrigo Jesus
Edição: Castiel Vitorino e Rodrigo Jesus
Figurino: Castiel Vitorino