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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Cartografando minha estratégia poética. 2

Uma foto publicada por Castiel (@gartthion) em



Eu não quero ter a autoridade de dizer quando minha obra está ou não finalizada. Assim como não quero que ninguém tenha esse poder sobre minha produção. Para minhas obras, desejo metamorfoses. Que seus processos estejam sempre em movimento e nunca estacionados. 

Então, uso materiais orgânicos, produtos perecíveis , justamente para alcançar este meu objetivo de fazer com que as obras esteja sempre mudando, borbulhando, transformando-se. Transformações que não serão conduzidas apenas por mim. Muito menos somente por seres humanos. Existem outros elementos, outros fatores que iram influenciar suas metamorfoses. Fatores como temperatura e umidade do espaço onde ela ficará. E também a exposição ou não ao sol. 

Farinha de trigo, água, flores naturais, vinagre, cola branca, gesso: esses são alguns materiais que tenho usado utilmente. Recentemente descobri como fazer uma massa entre cola branca, água, farinha de trigo e um pouco de vinagre, e é ela que venho usando em meus trabalhos. Ao longo de seu processo de secagem, ela pode ficar uma cor mais amarelada com pontinhos amarelo escuro, ou ficar mais clara, quase branca. Assim como, acredito que se ela estiver em um ambiente úmido, com o tempo poderá adquirir bolô. Existe também uma estratégia para secar as flores. Cada uma possui uma posição específica para ser posta para secagem, isso se eu quiser preservar sua forma e cor.

Eu uso esses materiais pois quero que o admirador e o comprador tenha uma nova relação com a arte. Uma relação que, o objetivo primeiro não é eterniza-la e sim se afetar por ela. Essa é a minha prioridade. Quero que quem tiver contato com estes objetos, queira cuidar deles. Estuda-los no campo do sensível. Investigar seus processos de degradação e conservação. Eu quero que minha pesquisa continue para além de mim. Quero ser um artista que inicia, e não que finaliza. E, não quero que ninguém tenha uma relação de posse com estas obras, e sim de companheirismo.