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sábado, 23 de julho de 2016

DEGELO TROPICAL

Universidade Federal do Espirito Santo
Trabalho final da disciplina Escultura I - Artes Plásticas 
Artistas: Ana Luiza Pio, Castiel Vitorino, Heitor Amorim e Rômulo Alcântara 


DEGELO TROPICAL
É de um saber comum a alta velocidade de descongelamento num país tropical, mas por que esta velocidade parece diminuir e este processo se estender quando paramos para observá-lo? O quão sensível estamos para os processos ao nosso redor? A entropia, é uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, encontrando-se geralmente associada ao que denomina-se por desordem, diz respeito a um movimento de caos irreversível, de uma degradação naturalmente imposta a materiais orgânicos e inorgânicos, animados ou inanimados.
A formatação final do trabalho nasce da experimentação e do improviso, da utilização de objetos do cotidiano e por uma escolha rápida, pensando na melhor solução para aquele momento com ferramentas ao alcance das mãos. Elementos como cor, pixel, reflexos e som, que não deveriam ser utilizados na ideia inicial, ganham força de expressão, gerando uma imagem atraente que chama a atenção de quem vê, convidando o olhar a observar aquela cena lenta de movimentação quase imperceptível, porém rápida, levantando a questão da percepção do tempo e como nos relacionamos com ele.
Esta percepção do tempo se faz presente nos processos entrópicos, na forma e condições em que cada material se degrada, se transforma, seja mudando sua fase ou adquirindo novos arranjos químicos. O vídeo expõe este processo, evidenciando a alta velocidade com que o gelo sofre sua mudança de fase quando comparado com o arame de alumínio e sua lenta oxidação. Lenta? Da física temos o referencial, tudo depende do ponto que escolhemos como referência, portanto, o quão lento seria o processo do alumínio quando comparado ao do diamante? Conseguiríamos observar tais processos? Essa relação dialética entre os extremos de degradação se torna possível através da percepção do tempo.
O vídeo se relaciona com o espaço tendo sua projeção deslocada próximo ao chão, em que sua base se encontra na aresta entre o piso e a parede, levantando a questão sobre a janela e o espaço metafórico presente nas artes visuais. A projeção com tais características rompe com a ideia desta janela recorrente em arranjos que utilizam a moldura como composição, a projeção assim inserida no ambiente faz com que o indivíduo o perceba de forma diferente, estando no mesmo espaço da projeção podendo até mesmo alterá-la ao ficar diante dela, minimizando assim a ideia janela metafórica.

Assim, o resultado final materializa essa desorganização na medida em que mostra o processo de degradação, não apenas de um dos materiais do objeto ali construído, mas também de seu conjunto. Também trazendo a discussão  sobre a tradição e composição das formas em que as obras artísticas são expostas, questionando a relação do espaço metafórico nas artes visuais.