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domingo, 22 de novembro de 2015

Ressignificando a arte contemporânea através das colagens; micro-mundos e micro-identidades


A Arte contemporânea tem provocado e sofrido inúmeras modificações em seu meio, seja nos processos de produção e até mesmo no que atravessa a etapa de divulgação daquele produto final (Manoela Freitas Vares, 2011). Ela encontra-se em um contexto que será chamado por Gilles Lipovetsky (2004) de Hipermodernidade, onde existe uma hipervalorização de valores desenvolvidos na Modernidade, tais como consumo, individualidade e fluxo de informação. Neste sentido, e ainda seguindo o pensamento de Manoela Freitas, aponta-se como uma das carateristas mais marcantes da Arte Contemporânea, o desejo dos artistas em se aproximar do publico, afim de estabelecer um diálogo entre sua obra e observador, visto que atualmente existem diversos caminhos que podem levar a isso. Essa preocupação não atinge apenas o produto final, mas também todo o percurso que o sujeito vivenciou para conseguir chegar àquela obra; almejando o desenvolvimento de uma relação mais sensitiva entre o objeto (obra) e o corpo (publico), e entre corpos (artista e o publico); um diálogo que permita um fluxo intenso de sensações. 

Analisando os desdobramentos sociais que a humanidade vem sofrendo e a atual configuração do mundo através dos estudos de André Oliveria (2015), é possível dizer que estamos experimentando uma revolução tecnológica, que possibilita novas formas de estar e entender o mundo. Hoje, sabe-se que vivenciamos uma mentalidade fluida que foi capaz de desmontar as costuras que dividia o mundo real do mundo virtual. Conceitos como online e offiline já não conseguem categorizar nossas vivencias, pois esses dois planos ou realidades foram misturados, dentre outros mecanismos, por redes sociais como Twitter, e aplicativos de celular como o Snapchat, ou por jogos como Google Ingress. Ao fazermos uma analise dessas dinâmicas através do que Francisco Valera (2004) compreende ser uma produção de micros e múltiplos, entendemos que na verdade essa variabilidade de perceptivas sempre esteve entre os humanos, pois somos historicamente constituídos por micro-mundos e micro-identidades, que coexistem e se alimentam em um corpo, mas que só desenvolvem-se a partir do contato com o outro. E é justamente a partir desse contato que se produz arte. 

As Artes falam de um processo que é capaz de conectar indivíduos e personalidades. O pensamento junguiano prevê essa concepção, ao categorizar o processo artístico como um autorregulador psíquico que obedece ao inconsciente coletivo, sendo este um lugar da psiquê onde está contido toda a experiencia humana, e que conecta integralmente a especie com suas diferentes culturas. Isso explica o fato de produzirmos algo que remete a uma sociedade na qual nunca tivemos contato, por exemplo. Contudo, mesmo sendo contemplado por essa visão em diversos momentos, entendo a arte não como um regulador, mas sim como um expansor da estrutura mental. Pois, mesmo estando conectados, os observadores sempre iram se afetar (e afetar) de maneira diferente pela mesma obra; de certa forma, o próprio processo de individuação proposto por Jung também prever isso, mas ainda o vejo como algo um tanto limitador. As colagens então, falam justamente dessa dilatação da criatividade, de uma expensão que atravessa até mesmo as fronteiras da história da humanidade. 

Quando um sujeito se propõe a fazer misturas de recortes, ele não está apenas mesclando imagens. Há ali uma junção de desejos, discursos e corpos, que diz sobre novas formas experienciar o mundo, apontando que ele e nós estamos em um constante processo de diferenciação. Elas falam de um corpo que cria e que é criado, falam de uma ressignificação de estruturas que a Arte contemporânea tem produzido. Elas dizem sobre seres híbridos culturais, espirituais e tecnológicos, que estão se esforçando para continuarem vivos, e consequentemente produzindo uma destruição de barreiras espaciais ( e também sexuais, dentre outras), acoplando cada vez mais a internet e a vida real, e possibilitando novas formas de se fazer, pensar e sentir a arte. A colagem rasga e multiplica. Transgride, transforma e questiona aquilo que nos é imposto por uma ideia de arte higienizada. 

Hoje, o inicio dos anos 1970 é visto como o momento em que a arte libertou-se das grades do pensamento tradicional relacionado à técnica de pintura e escultura. Alguns o chama de "o fim da arte", levando-me ao questionamento do que então seria arte. Pois se ela for um sistema baseado em reproduções de regras de comportamentos artisticos, admito então que o fazemos atualmente realmente não pode ser considerado arte. As artes contemporâneas são novas inversões de estéticas, novos modos de se pensar na teoria e na filosofia da aparência, são novas formas de estabelecer relações entre o pensamento a obra e o contexto social. "A questão da arte contemporânea é a questão de pensar a si mesma" (John Rajchman,2011).













referência digital

http://pontoeletronico.me/2014/sobreposicao-de-realidades/