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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Em que o Ronaldo Fraga conseguiu me/nos atingir?

Comentário sobre o desfile da coleção de inverno 2016, que aconteceu na Semana de Moda de São Paulo (SPFW), do estilista Ronaldo Fraga.

 As identidades transgêneras questionaram a todo momento o binarismo sexual que a moda ajudou a criar, contudo fomos ( e continuamos sendo) ignoradas e deslegitimadas  por instituições religiosas, estatais ou grupos que teoricamente não possuíam vínculo com nenhum desses ou outros poderes. Sempre apresentamos ao mundo uma nova forma de existir, entretanto foi apenas no final do século XX que nossa existência social começou a ser reclamada de maneira mais organizada; surge então o movimento LGBTT*. Atualmente, se a comunidade transgênera é chamada de radical por esta se colocando como protagosnistas do discurso sobre sua realidade, entende-se que ao menos a existência do seus membros está sendo reconhecida, mesmo que este ato tenha como único objetivo a apreensão (até mesmo das outras letras do movimento no qual está inserida) tal forma de vida. 

Agora, começo a ficar contente em ver que alguns profissionais da industria da moda estão permitindo-se serem atingidos pelos nossos discursos; refletindo suas desconstruções em suas criações, como aconteceu neste desfile. Ajudando a desconstruir o paradigma sexual-visual que ela contribuiu para ser instaurado. Ronaldo Fraga, ao propor uma troca de roupas entre modelos de gêneros diferentes, levanta ainda mais uma discussão nacional que ja está acontecendo a respeito do que os brasileiros entender ser a roupa. Quais ficções sociais que ela reforça em nosso cotidiano e que atingem verdadeiramente nossa realidade? 

Por que quando usamos uma peça que socialmente não pertence ao nosso gênero, somos agredidos em macro e micro potencia? Por que determinadas cores, texturas ou acessórios é associado a um tipo exato de extrutura corporal? E por fim: qual é o papel da moda no sistema de produção de corpos que possuem vidas? visto que, socialmente, nem todos a possuem.


As flores secas que foram usadas na parte da beleza do desfile ( que foi assinada pelo Marcos Costa), com a intensão de exemplificar as marcas que as paixões deixam em nós, mesmo depois delas chegarem ao fim, me fizeram olhar para o meu próprio corpo-mente afim de dectectar cicatrizes de ferimentos que foram provocados pelo simples fato de eu demonstrar ou assumir paixões por pessoas, objetos, saberes, arte e até a própria moda. Encontrei varias, e as reconheço também em meus semelhantes; sejam por parte da sexualidade, ou racial. 

A indumentária já passou da hora de ser mais uma vez ressignificada. Ronaldo, você fez um ótimo trabalho. Entretanto, precismos nos perguntar ainda mais sobre outras formas de vestir o corpo. 

Resenha e mais fotos do desfile:
http://ffw.com.br/desfiles/sao-paulo/inverno-2016-rtw/ronaldo-fraga/1542916/