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sábado, 4 de julho de 2015

A ascendencia das saias masculinas e o processo de ressiginificação do vestuário




Em todos os períodos históricos, a vestimenta sempre possuiu uma importância para seus contemporâneos. Isso porque a roupa, além da proteção, também possui a função de emitir mensagens, sendo essa emissão, um reflexo dos costumes de cada sociedade. Essa dinâmica de absorver, traduzir e refletir, possui conteúdos mutantes, que mudam de acordo com cada geração. Existe portanto, um constante processo de ressignificação do vestuário.

Nos anos 2000, graças também a movimentos sociais surgidos no século XX (como o feminista, o hippie e o  LGBTT*), as barreiras religiosas e científicas presentes nos gêneros sexuais estão sofrendo constantes ataques da sociedade pós-moderna. Uma geração conhecedora dos processos de construção de consensos sociais, e de suas consequências - exclusão, segregação, assassinatos e espancamentos. Então, quando imaginamos uma equação de "conhecimento sobre o objeto + dúvida acerca do mesmo = crítica", entendemos o porque desses indivíduos conseguirem pensar em uma desconstrução dessas regras e a promover.  

Os pós-modernos ao desenvolver a quebra de fronteiras, acabam também atingindo negativamente outros elementos, sendo a cultura o principal deles. Mas em contra partida, seu pensamento liquido, que acredita em uma impossibilidade de classificação, e reconhece o processo de auto-reconhecimento como o mais correto,  acaba por legitimar por completo a complexa sexualidade humana e suas diversas maneiras de manifestação. As roupas contemporâneas passam  então a refletir essas ideias, como pode ser visto na semana de Semana de Moda Masculina de Milão (verão 2016) , nos desfiles da Viviennne Westwood, Gucci, Burberry e de J.W Anderson.


Atualmente, a industria da moda ainda continua tentando destruir as barreiras de gêneros que encontram-se presentes no espirito das roupas, introduzindo peças femininas nos armários masculinos. A saia é uma delas.  

Sim, elas já são usada pelos escoceses; os Kilts. Entretanto,  neste caso existe uma conotação fortemente cultural dessa vestimenta, que por isso acaba sendo usada apenas por um determinado grupo de individuos e em determinadas situações. O que certa parcela de moda pretende é tornar as sais algo comum entre os homens, que possam ser usadas cotidianamente para ir ao trabalho, escola, cinema e igrejas;  e não apenas em festas tipicas da cultura escocesa. 

A industria visual deseja equalizar o uso da saia com o da blusa de botão e o blazer (peças que transitam livremente entre corpos femininos e masculinos). 

Quem conhece a história da calça, sabe que foi em meados das décadas de 1920 que surgiu a feminina, criada pela Coco Chanel. Digo de maneira explicita, visto que há relatos de sua existência em décadas anteriores. Sendo apenas na década de 1960 que ela conseguiu consagrar-se como uma peça de duplo gênero. Fato que possibilitou o surgimento e desenvolvimento do conceito "unisex", antecedendo a escancarada androginia dos anos 80. Portanto, esperamos que as saias masculinas não demorem 40 anos para serem aceitas entre os ocidentais . Mas, se este for o tempo necessário para que padrões de vestimentas sejam mudados ou apagados, acredito então nós pós-modernos deveremos também começar a questionar o tempo cronológico.