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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Para Amar + Para se inspirar: Pearls Negras

A algumas décadas atrás, as mulheres que aventuravam-se a entrar no mundo do Rap limitavam-se em falar sobre suas belas curvas e em como elas deveriam ser recompensadas por terem aquele corpo escultural 100% natural. Reconheço que atualmente ainda existem as gatas musicalmente comerciais, que usam apenas esses mesmos artifícios para alcançarem a almejada fama. Não desmereço elas, muito menos as ignoro; coisa que é impossível de se fazer. Mas acredito que essa consagrada vertente do Rap não tenha mais nada para nos mostrar além de belas bundas, seios e curvas. E a juventude (digo a grande parcela) não se contenta mais com isso. 

Sabe-se, por uma minoria , que o movimento feminino do rap não mais se resume à musicas do tipo "Anaconda" ( creio eu que nunca se resumiu) . Suas ramificações possuem frutos visuais, culturais, que vão a algo além do sex appeal, e até mesmo políticos. E é justamente em um desses galhos que se encontram as Pearls Negras.

Com rimas conteudistas, suas canções expressão pensamentos, por exemplo, feministas, em uma linguagem juvenil e atual. O cotidiano dessas três garotas também é retratado através das suas rimas. Já a batida, é absurdamente viciante e dançante. 

O figurino do trio carioca é uma notória manifestação do estilo urbano norte americano. Essas moradoras do Morro do Vidgal poderiam ser facilmente confundidas com meninas de bairros como Brooklyn, onde as influências do streetstyle estão concentradas, e se manifestam livremente pelas calçadas sem sofrerem chacota dos moradores. 

A multiplicidade que o trabalho dessas rappers possui chama tanta atenção, que elas já foram até as garotas propagandas da C&A.  Além de terem recentemente feito uma turnê na Europa.

Uma vez me perguntei o motivo pelo qual elas ainda não saíram da capa da Capricho, Toda Teen ou Atrevida, e logo deduzi a resposta: apesar dessas meninas serem profundamente talentosas, elas não são brancas. Sim, é exatamente isso! Me espanta a forma que esses veículos de comunicação, ditadores de opinião, ignoram as adolescentes negras em suas páginas. O que além de ser  revoltante, é triste. O preconceito existe sim, e antes de dizer que estou errado, pare de tentar transformar seu cabelo crespo ou cacheado em um perecido com o da Bruna Vieira. 

ps: para os que quizerem saber um pouco mais sobre o absurdo que essas revistas cometem,leia esse artigo feito por Isabela Reis, estudante de Comunicação Social da UFRJ
ps2: pra que ser capa de revista adolescente, quando se tem ELLE Brasil, The Beach, The Guardian e a Revista L'officiel falando sobre você?